EVOLUÇÃO E SARS-CoV2 – A RELAÇÃO EVOLUTIVA ENTRE O CORONAVÍRUS HUMANO, PANGOLINS E MORCEGOS.

É possível que pangolins não estejam diretamente envolvidos no salto do SARS-CoV-2 para seres humanos. Pangolins são de crescente importância e …

EVOLUÇÃO E SARS-CoV2 – A RELAÇÃO EVOLUTIVA ENTRE O CORONAVÍRUS HUMANO, PANGOLINS E MORCEGOS.

COMO O ESTRESSE DO CORONAVÍRUS PODE ATRAPALHAR NOSSO CÉREBRO.

Estudos de imagem mostram que devemos nos dar um tempo. Por Laura Sanders. Estou dentro do prazo, mas em vez de me concentrar, minha mente vibra com …

COMO O ESTRESSE DO CORONAVÍRUS PODE ATRAPALHAR NOSSO CÉREBRO.

Usando isótopos de carbono para desmascarar o comércio do falso uísque raro

Imagine uma garrafa de Uísque escocês de 1863. Não é preciso ser um connoisseur para imaginar que se trata de um item raro. Esses uísques são objetos de cobiça de colecionadores que pagam milhares (e ate milhões) de dólares por uma única garrafa.

Entretanto, pesquisadores do Centro de Pesquisa Ambiental das Universidades Escocesas (Scottish Universities Environmental Research Centre – SUERC) utilizaram a marcação por Carbono 14 (14C) para determinar a real idade dos supostamente raros rótulos de uísque. O estudo, que utilizou o decaimento do carbono da cevada de rótulos com idade conhecida (entre 1950 e 2015) para realização de uma curva de calibração, chegou a conclusão de que muitas das supostas garrafas raras de uísque, não eram tão raras assim e que se tratavam de uísques fraudulentos.  Das 221 garrafas analisadas, cerca de 50% eram discrepantes com relação ao ano de destilação descrito no rótulo. Uma delas (Talisker 1863), pode ter sido destilada entre 2007 e 2014. Já o  Laphroaig 1903, pode ter sido destilado após 2011.

Mais uma vez a ciência salvou o dia contra o charlatanismo.

 

Uaite rorse

 

Terapia baseada em realidade virtual tem benefícios reais para alguns tipos de transtornos mentais

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Hardware barato e fácil de usar poderia ajudar a terapia de RV a ser popular

Edwin ajustou o fone de ouvido e segurou o controle do jogo com as duas mãos. Ele engoliu em seco. O cara tinha boas razões para estar nervoso. Ele estava prestes a entrar em um ambiente virtual feito sob medida para fazer seu coração bombar mais do que qualquer videogame cheio de ação: Um café cheio de gente.

Determinado a superar seu medo reincidente de que outras pessoas querem machucá-lo, Edwin havia se inscrito em um estudo de uma nova terapia de realidade virtual. A pesquisa teve como objetivo, ajudar as pessoas com paranóia a se sentirem mais confortáveis em locais públicos. Nesse programa, descrito em março no Lancet Psychiatry, Edwin podia visitar uma loja ou embarcar em um ônibus lotado.

Estranhos virtuais podem ser assustadores, assim como pessoas reais. Edwin, que havia sido diagnosticado com esquizofrenia paranóica, frequentemente achava tarefas simples, como compras de supermercado, esmagadoras e exaustivas.

Mas enfrentar multidões simuladas, veio com regalias. Em um computador próximo, estava sentado o psicólogo clínico Roos Pot-Kolder, da Universidade de Amsterdã. Ela poderia personalizar o número de avatares e definir seus níveis de amizade em cada cena. Dessa forma, Edwin poderia progredir em seu próprio ritmo.

Durante uma sessão, Pot-Kolder treinou Edwin para desafiar suas próprias suposições paranóicas. Se ele visse um avatar irritado, ela perguntou: “Quais poderiam ser outras razões para parecer louco, além de querer machucá-lo?” Edwin ofereceu: A pessoa poderia estar cansada ou com problemas pessoais.

Após três meses de tratamento com RV, os passeios públicos foram mais fáceis, disse Edwin, que pediu que seu sobrenome não fosse usado. “Senti mais liberdade, mais relaxada.” Ele até fez um poema para 500 pessoas em um show de talentos, que ele “não ousaria” antes.

Pesquisadores vêm desenvolvendo sistemas de realidade virtual que ajudam pessoas a superar fobias específicas desde os anos 90. A terapia de RV, desde então, expandiu-se para tratar de transtornos de ansiedade mais complexos, como ansiedade social e estresse pós-traumático, e até mesmo a ansiedade associada à esquizofrenia paranóide para pessoas como Edwin.

“O principal ingrediente para um tratamento eficaz para os transtornos de ansiedade é … você precisa enfrentar seus medos”, diz Stéphane Bouchard, um ciberpsicólogo clínico da Universidade de Quebec, em Outaouais, no Canadá. Ele está se referindo ao que é conhecido como terapia de exposição. Com o apoio emocional de um terapeuta, a terapia de exposição ajuda a dessensibilizar o paciente para qualquer que seja o medo. Os pacientes geralmente enfrentam seus medos na vida real ou, se o medo é uma lembrança traumática, repetidamente revivem o evento em sua imaginação.”

Mas confrontar medos pode ser mais fácil em um ambiente virtual. Um paciente com fobia de voo pode decolar e aterrissar muitas vezes em uma única sessão de RV sem o custo e o incômodo dos vôos reais. Veteranos com estresse pós-traumático que não se lembram de uma lembrança traumática em grande detalhe podem representar uma procuração próxima na RV para uma experiência terapêutica mais potente. O mesmo vale para aqueles que reprimem memórias dolorosas.

Até recentemente, o preço e a complexidade dos equipamentos de RV, que podiam custar dezenas de milhares de dólares, limitaram a terapia de RV a alguns laboratórios de pesquisa e clínicas. Agora, há headsets baseados em computador, como o Oculus Rift, que custam apenas algumas centenas de dólares, além de fones de ouvido como o Samsung Gear VR, que transformam smartphones em telas de realidade virtual por cerca de 100 dólares.

Com sistemas mais baratos e mais fáceis de usar, prontos para tornar a terapia de realidade virtual disponível para muitos mais pacientes, os pesquisadores estão testando os limites dos poderes terapêuticos da RV para tratar uma gama mais ampla de distúrbios ou, em alguns casos, substituir completamente o terapeuta.

Texto traduzido por Mayke Alencar; postado originalmente em Sciencenews

This article appears in the November 10, 2018 issue of Science News with the headline, “Erasing Fear: Virtual reality therapy has real-life benefits for some disorders.”

Astrobiologia: uma ciência emergente – Baixar livro online grátis

A Astrobiologia é uma área recente de pesquisa científica, que procura entender o fenômeno da vida em nosso Universo, não se restringindo apenas à vida na Terra, ou mesmo à vida como a conhecemos. Ela aborda algumas das questões mais complexas sobre os sistemas biológicos, como sua origem, evolução, distribuição e futuro, na Terra e, possivelmente, em outros planetas e luas. Por ser multi e interdisciplinar é, acima de tudo, uma ferramenta para facilitar a comunicação e interação entre especialistas de diferentes áreas, e também com a população em geral, já que trata de temas que despertam o interesse geral.

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Pela primeira vez, temos as ferramentas tecnológicas e o rigor científico à disposição para lidar com alguns dos problemas mais complexos e antigos da humanidade: De onde viemos? Para onde vamos? Estamos sozinhos no Universo? A Astrobiologia procura responder essas perguntas baseando-se na história da vida na Terra e suas relações com o planeta, extrapolando esse conhecimento para o desenvolvimento de metodologias para o estudo de outros mundos, seja com robôs, missões tripuladas ou técnicas astronômicas. Os cientistas dessa área estão desbravando novas fronteiras do conhecimento humano, mas esse é apenas o início desse esforço interdisciplinar e internacional, que já está se estabelecendo também no Brasil. (Texto retirado do site: http://www.tikinet.com.br/iag/)

O Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da USP divulgou um e-book gratuito sobre o tema. Além da edição caprichada, o volume foi escrito de olho no público amador e está muito, muito fácil de entender. Vale a pena dar uma olhada.

Você pode fazer o download aqui

Ebola: uma visão geral

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Fonte: Center for Disease Control and Prevention -CDC

 

A epidemia de febre hemorrágica causada por Ebola em 2014 no oeste da África, é de longe o maior surto desse agente que já existiu. O Agente etiológico dessa doença, o ZEBOV (Zaire Ebolavirus) e outras espécies de Ebolaviroses, estão classificados no gênero Ebolavirus da família  Filoviridae (denominados assim pelo seu aspecto de filamento). ZEBOV  é um agente, que se não fosse a indiferente natureza de um vírus, poderia obter facilmente o adjetivo de assassino em série, sem muito esforço, o vírus é letal pra cerca de 90% das pessoas que o contraem. A morte geralmente é resultante de falência múltipla dos órgãos e complicações hemorrágicas graves (dizendo de outra forma, não tão fofa e sensacionalista, o acometido se esvai em sangue por todo e qualquer orifício do corpo).

As filoviroses (Ebola, Zaire, Marburg etc) são autóctones da África. O nome Ebola é derivado do rio Ebola, situado na República Democrática do Congo, onde os primeiros caso da febre hemorrágica foram reportados em 1976. As evidências sugerem que o Ebola tem um ciclo silvestre que se dá entre morcegos ( O reservatório que agiria como um vetor) e outros animais como primatas e antílopes. Os humanos provavelmente contraíram o vírus pelo contato com esses reservatórios animais, seja por caça ou preparo da mesma para alimentação.

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A infecção do vírus Ebola de humano para humano pode acontecer pelo contato com o sangue ou fluidos corporais de um indivíduo infectado, ou contato com corpos de vítimas da febre hemorrágica. Há indícios de que o vírus também possa ser transmitido pelo ar, e data a agressividade do Ebola (Infectando primatas e sem cura pós-infecção), no jargão científico, ele é chamado de um agente quente, tanto que as pesquisas realizadas com Ebola, são realizadas em laboratórios de nível de biossegurança 4 (NB4), onde os laboratórios são em geral subterrâneos e os pesquisadores usam trajes espaciais biológicos, com o intuito de evitar qualquer eventual contato com o patógeno.

Dados da WHO (World Health Organization) indicam que até 17 de janeiro de 2016, 28.602 casos, desses foram a óbito 11.301 (ver tabela), incluindo países não só africanos, como também Europeus e os EUA.

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Apesar de ainda não termos nenhum tratamento para a doença em casos de infecção, foi recentemente desenvolvida uma vacina que provê com 100% de eficácia, proteção contra o Ebola, fato a se comemorar na comunidade científica. Entretanto, pouco se sabe sobre a doença e longo é o caminho a ser trilhado no sentido de erradicar totalmente essa mazela emergente do mundo.

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Fontes:

http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2016/ebola-vaccine-results/en/

http://mobile.nytimes.com/2016/12/22/health/ebola-vaccine.html

https://www.cdc.gov/vhf/ebola/resources/virus-ecology.html

http://www.universoracionalista.org/vacina-contra-ebola-passa-no-primeiro-teste-em-humanos/

Zawilińska B1, Kosz-Vnenchak M. General introduction into the Ebola virus biology and disease. (2014) <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25694096&gt;

Humildade

Vi essa tirinha no site do genial Zen Pencils, e de imediato recordei do texto Pale Blue Dot ( O pálido ponto azul) do nosso querido Carl fodão das galáxias Sagan. Onde ele faz uma reflexão sobre a nossa (in)significância diante do cosmos, sobre humildade e caráter. Na ocasião, a NASA, com sonda Voyager 1 tirava fotos do sistema solar com a intenção de montar uma espécie de mosaico do sistema solar. uma dessas fotos que a Voyager retornou, é a que segue:

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Nela, vemos a Terra a 6,4 bilhões de Km de distância, onde a mesma aparece como um pequenino ponto azul, imagem que deu origem á bela reflexão do Carl Sagan. Deixo aqui, a tirinha, e logo após, o texto do Sagan. Life long and prosper!

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Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta autoimportância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

Carl Sagan.

A navalha de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham ou Ockam, Occam, Aquaman Auquam, Hotham (nunca vi uma grafia mais indefinida que o local onde esse cara nasceu) foi um frade franciscano que viveu no séc. XIV e defendia o princípio que agora carrega o seu nome, ligado á metáfora da navalha: a Navalha de Ockham!

Narrada pelo locutor da Seção da Tarde, fica assim:

Esse frade franciscano e sua galerinha do barulho, aprontaram altas confusões e se meteram em uma grande encrenca com o Papa devido as suas ideias da pesada. Agora viverá uma grande aventura tentando driblar a santa excomungação papal”

Resumidamente, o princípio é o seguinte:

as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão.

Também conhecida como Lei da Parcimônia.

A Navalha de Ockham aplicada à ciência.

Na aplicação científica, a Navalha de Ockham indica que, se em tudo mais duas teorias são iguais, a mais simples (a que exige menos hipóteses) deverá ser aceita. A tirinha abaixo explica melhor a situação:

Dilema

Na lógica isso funciona assim:

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade entre duas teorias, indicando que a cada hipótese extra (princípio da parcimônia), logo desnecessária acrescentada a uma teoria a torna menos provável. (vale lembrar que estamos comparando teorias nesse exemplo)

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2…Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione corretamente.

Podemos escrever isso, simplificadamente, da seguinte forma:

 T1= (H1, H2…Hn).

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, que contenha as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. Assim:

T2= (H1, H2.. Hn, D0).

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas, então a teoria T1 deverá nos dar as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas como, por definição, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 poderá dar um resultado falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese desnecessária “D0”.

Provamos assim que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta torne-se falsa. Dessa forma, podemo afirmar que teorias que respeitam a “navalha de Occam” têm maior probabilidade de serem verdadeiras do que aquelas que não satisfazem a navalha.

Esse raciocínio que é muito aplicado no método científico, é expresso de uma forma um pouco reformulada pelo nosso querido Carl Sagan, onde ele diz o seguinte:

Alegações extraordinárias, exigem evidências extraordinárias

Contudo, deve-se ter cuidado ao aplicar a Navalha de Occam, pois muitos confundem seu princípio com a ideia de que, sempre que uma coisa for complexa, tem que ser descartada.

Além disso, muitos poderão pedir para que você prove que a H0 (hipótese desnecessária) seja provada, o que caracteriza uma falácia lógica denominada Inversão do ônus da prova (Leia mais sobre falácias lógicas nesse livro ilustrado disponibilizado aqui: Um Livro Ilustrado de Maus Argumentosonde a pessoa que defende tal hipótese tem o ônus da prova, mas usa dessa falácia, para se livrar do ônus de prová-la.Resumindo, O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação.

Então, vamos parar de criar teorias de como os “círculos alienígenas” surgiram no milharal, e vamos aplicar corretamente essa Navalha destruidora de exageros teóricos que Giherme de Ockham, nos deixou.

Um livro ilustrado de maus argumentos – Baixar Livro online Grátis

Olá, seus Plutão. Trago aqui um manual ilustrado de maus argumentos. Quero todo mundo que acompanha o blog, manjando  na identificação das falácias lógicas.

Uma coisa interessante sobre uma falácia lógica, é que quando você aprende o princípio, você nunca mais esquece, e começa a identificar as mesmas nos argumentos das pessoas.

Eu indico começar a leitura pelo final, onde se tem várias definições de termos importantes, e alguns princípios.

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Um Livro Ilustrado de Maus Argumentos, de autoria de Ali Almossawi.

Segue o link para baixar o livro online, em Português do Brasil: Um livro ilustrado de maus argumentos .

Amor Verdadeiro

Olá, seus Plutão. Cá estou eu mais uma vez, admirado com a capacidade do profeta/Wolverine nerd Isaac Asimov, em me deixar boquiaberto com seus contos. Para quem assistiu o filme Her, encontrará no conto, alguns elementos  análogos. durando o decorrer do conto. Sem mais, fiquem com esse conto maravilhoso. E se eu fosse você, começaria a pedir desculpa a todos os computadores velhos que você já xingou.

S.O. Filho(a) do Joe com a Charity

S.O. Filho(a) do Joe com a Charity

Isaac Asimov
Publicado originalmente no livro Nós, Robôs, Hemus Editora

Meu nome é Joe. É assim que meu colega, Milton Davidson, me chama. Ele é um programador e eu sou um programa de computador. Faço parte do complexo Multivac e estou conectado com todas as suas outras partes espalhadas pelo mundo inteiro. Eu sei tudo. Quase tudo.

Eu sou o programa particular de Milton. O seu Joe. Ele entende mais sobre programação do que qualquer outra pessoa no mundo, e eu sou o seu modelo experimental. Ele me fez falar melhor do que qualquer outro computador.

– È só uma questão de emparelhar sons com símbolos, Joe – ele me disse. – E esse o modo como funciona no cérebro humano, embora ainda não saibamos que símbolos existem no cérebro. Mas eu conheço os seus símbolos e posso fazê-los corresponder a palavras, um por um.

Por isso eu falo. Não acho que falo tão bem quanto penso, mas Milton diz que falo muito bem. Milton nunca se casou, embora já tenha quase quarenta anos. Ele nunca encontrou a mulher certa, foi o que me contou. Um dia, ele disse:

– Ainda vou encontrá-la, Joe. Encontrarei a melhor de todas. Vou ter um verdadeiro amor e você vai me ajudar. Estou cansado de aperfeiçoá-lo para resolver os problemas do mundo. Resolva omeu problema. Encontre-me um amor verdadeiro.

– O que é um amor verdadeiro? – disse eu.

– Não importa. Isso é abstrato. Apenas me encontre a garota ideal. Você está conectado com o complexo Multivac, por conseguinte tem acesso aos bancos de dados de cada ser humano no mundo. Vamos eliminar todos eles por grupos e classes até ficarmos com apenas uma pessoa. A pessoa perfeita. E ela será minha.

– Estou pronto – disse eu.

– Elimine todos os homens primeiro – disse ele.

Isto foi fácil. Suas palavras ativaram símbolos em minhas válvulas moleculares. Eu pude amplificar-me para entrar em contato com os dados acumulados sobre cada ser humano no mundo. Conforme suas palavras, afastei-me de 3.784.982.874 homens. Continuei em contato com 3.786.112.090 mulheres.

– Elimine todas as que tiverem menos de vinte e cinco anos – disse ele – e todas as com mais de quarenta. Depois, elimine todas com um QI inferior a 120, todas com uma altura inferior a um metro e cinqüenta e superior a um metro e setenta e cinco.

Deu-me medidas exatas, eliminou mulheres com filhos vivos, eliminou mulheres com várias características genéticas.

– Não estou certo quanto à cor dos olhos – disse Milton. – Por enquanto, deixe isso de lado. Mas nada de cabelos ruivos. Não gosto dessa cor de cabelo.

Duas semanas depois tínhamos baixado para 235 mulheres. Todas falavam muito bem o inglês. Milton disse que não queria um problema de linguagem. Ou nos momentos íntimos, até a tradução por computador entraria no meio.

– Não posso entrevistar 235 mulheres – disse ele. – Levaria muito tempo e o pessoal descobriria o que estou fazendo.

– Isso traria problemas – disse eu. Milton tinha me mandado fazer coisas que eu não estava projetado para fazer. Ninguém sabia disso.

– Isso não é da sua conta – disse ele, e a pele do seu rosto ficou vermelha. – Escute aqui, Joe, vou lhe trazer holografias e você vai checar a lista por similaridades.

Ele trouxe holografias de mulheres.

– Essas aí são três vencedoras de um concurso de beleza – disse. – Veja se alguma das 235 corresponde.

Oito eram correspondências muito boas.

– Ótimo – disse Milton. – Você tem os seus bancos de dados. Estude suas exigências e necessidades em termos de mercado de trabalho e providencie para tê-las aqui numa entrevista. Uma de cada vez, é claro. – Ele pensou um pouco, moveu os ombros para cima e para baixo, e completou: – Ordem alfabética.

Isto é uma das coisas para que não fui projetado para fazer. Deslocar pessoas de emprego para emprego, por razões pessoais, chama-se manipulação. Só pude fazer isso porque Milton tinha me ajustado para agir assim. No entanto, não poderia fazer isso para ninguém a não ser ele.

A primeira garota chegou uma semana mais tarde. O rosto de Milton ficou vermelho quando a viu. Ele falava como se tivesse dificuldade em fazê-lo. Ficaram juntos muito tempo e ele não prestou atenção em mim. Num certo momento, ele disse.

– Deixe-me levá-la para jantar.

– De certo modo não foi bom – Milton me disse no dia seguinte. – Estava faltando alguma coisa. É uma mulher bonita, mas não senti nenhum toque de verdadeiro amor. Tente a próxima.

Aconteceu o mesmo com todas as oito. Eram muito parecidas. Sorriam muito e tinham vozes agradáveis, mas Milton sempre achava que não estava bem.

– Não consigo entender, Joe – disse ele. – Você e eu selecionamos as oito mulheres que, no mundo inteiro, parecem ser as melhores para mim. Todas ideais. Por que elas não me agradam?

– Você as agrada? – disse eu.

Ele enrugou a testa e esmurrou com força a palma da mão.

– É isso aí, Joe. É uma via de mão dupla. Se não sou o ideal delas, não podem agir de modo a serem o meu ideal. Eu preciso ser, também, o verdadeiro amor delas, mas como fazer isso?

Ele pareceu pensar todo aquele dia.

Na manhã seguinte, se aproximou de mim e disse:

– Vou deixar você cuidar do assunto, Joe. Tudo por sua conta. Você tem meu banco de dados, e vou contar tudo que sei sobre mim mesmo. Você completará meu banco de dados nos mínimos detalhes, mas guarde todos os acréscimos para si mesmo.

– E depois, o que vou fazer com seu banco de dados, Milton?

– Depois você vai fazê-lo corresponder com as 235 mulheres. Não, 227. Esqueça as oito que encontramos. Arranje para que cada uma seja submetida a um exame psiquiátrico. Complete seus bancos de dados e compare-os com o meu. Encontre correlações. (Arranjar exames psiquiátricos é outra coisa contrária às minhas instruções originais.)

Durante semanas, Milton conversou comigo. Ele me falou de seus pais e parentes. Contou-me de sua infância, seu tempo de escola e adolescência. Contou-me das jovens que tinha admirado a uma certa distância. Seu banco de dados aumentou e ele ajustou-me para ampliar e aprofundar minha chave simbólica.

– Veja só, Joe – disse ele. – À medida que você absorve mais e mais de mim, eu vou ajustando-o para corresponder cada vez melhor comigo. Você começa a pensar cada vez mais como eu, por conseguinte, vai me compreendendo melhor. Quando você me compreender suficientemente bem, aquela mulher, cujo banco de dados for uma coisa que você entenda igualmente bem, será meu verdadeiro amor.

Ele continuava conversando comigo e eu passava a compreendê-lo cada vez mais.

Eu conseguia formar frases mais longas e minhas expressões se tornavam mais complicadas. Minha fala começou a ficar muito parecida com a dele, tanto em vocabulário quanto na ordenação das palavras e no estilo.

Certa vez, eu disse a ele:

– Veja você, Milton, não é apenas um problema de adequar uma moça a um ideal físico. Você precisa de uma moça que seja pessoal, temperamental e emocionaimente adequada. Quando isso acontece, a aparência é secundária. Se não pudermos encontrar uma que sirva nestas 227, devemos procurar entre as outras. Acharemos uma que também não se preocupará com a aparência que você ou qualquer outra pessoa tiverem, desde que a personalidade seja adequada. O que significa a aparência?

– Absolutamente nada – disse ele. – Eu saberia disso se houvesse tido mais contato com mulheres. Evidentemente, pensando bem, tudo parece mais claro agora.

Sempre concordávamos, cada um pensava exatamente como o outro.

– Não vamos ter mais nenhum problema, Milton, se você me deixar fazer-lhe algumas perguntas. Posso ver onde, em seu banco de dados, há espaços brancos e irregulares.

O que veio a seguir, Milton dizia, era o equivalente de uma meticulosa psicanálise. É claro. Eu havia aprendido com os exames psiquiátricos de 227 mulheres, a totalidade das quais eu continuava observando intimamente.

Milton parecia muito feliz.

– Falar com você, Joe, é quase como falar com outro eu. Nossas personalidades chegaram a uma combinação perfeita. O mesmo acontecerá com a personalidade da mulher que escolhermos.

E eu a encontrei. Afinal, era uma das 227. Chamava-se Charity Jones e trabalhava como contadora na Biblioteca de História, em Wichita. Seu extenso banco de dados se ajustava perfeitamente ao nosso. Todas as outras mulheres tinham sido descartadas por um ou outro motivo à medida que seus bancos de dados aumentavam, mas com Charity havia uma crescente e espantosa ressonância.

Não precisei descrevê-la para Milton. Ele tinha coordenado meu simbolismo tão intimamente com o seu, que foi suficiente relatar pura e simplesmente a ressonância. A escolha se adequava.

Em seguida, era o problema de ajustar as folhas de serviço e exigências de trabalho de modo a conseguir que Charity tivesse uma entrevista conosco. Isto devia ser feito muito delicadamente, para que ninguém viesse a saber que estava ocorrendo uma coisa ilegal.

Evidentemente, Milton conhecia a manobra. Foi ele quem arranjou a coisa, foi ele quem cuidou de tudo. Quando vieram prendê-lo, em virtude de mau procedimento em trabalho, foi, felizmente, por algo que tinha acontecido há dez anos. Ele me informara sobre tudo, é claro, mas aquilo foi fácil de arranjar. E ele não comentará nada sobre mim, pois seu delito se tornaria muito mais grave.

Milton foi embora, e amanhã é 14 de fevereiro, Dia dos Namorados. Charity chegará então com suas mãos calmas e sua voz suave. Vou ensiná-la a me manejar e a cuidar de mim. O que importará a aparência quando nossas personalidades ressoarem juntas?

Eu direi a ela:

– Eu sou Joe e você é meu verdadeiro amor.