A navalha de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham ou Ockam, Occam, Aquaman Auquam, Hotham (nunca vi uma grafia mais indefinida que o local onde esse cara nasceu) foi um frade franciscano que viveu no séc. XIV e defendia o princípio que agora carrega o seu nome, ligado á metáfora da navalha: a Navalha de Ockham!

Narrada pelo locutor da Seção da Tarde, fica assim:

Esse frade franciscano e sua galerinha do barulho, aprontaram altas confusões e se meteram em uma grande encrenca com o Papa devido as suas ideias da pesada. Agora viverá uma grande aventura tentando driblar a santa excomungação papal”

Resumidamente, o princípio é o seguinte:

as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão.

Também conhecida como Lei da Parcimônia.

A Navalha de Ockham aplicada à ciência.

Na aplicação científica, a Navalha de Ockham indica que, se em tudo mais duas teorias são iguais, a mais simples (a que exige menos hipóteses) deverá ser aceita. A tirinha abaixo explica melhor a situação:

Dilema

Na lógica isso funciona assim:

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade entre duas teorias, indicando que a cada hipótese extra (princípio da parcimônia), logo desnecessária acrescentada a uma teoria a torna menos provável. (vale lembrar que estamos comparando teorias nesse exemplo)

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2…Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione corretamente.

Podemos escrever isso, simplificadamente, da seguinte forma:

 T1= (H1, H2…Hn).

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, que contenha as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. Assim:

T2= (H1, H2.. Hn, D0).

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas, então a teoria T1 deverá nos dar as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas como, por definição, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 poderá dar um resultado falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese desnecessária “D0”.

Provamos assim que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta torne-se falsa. Dessa forma, podemo afirmar que teorias que respeitam a “navalha de Occam” têm maior probabilidade de serem verdadeiras do que aquelas que não satisfazem a navalha.

Esse raciocínio que é muito aplicado no método científico, é expresso de uma forma um pouco reformulada pelo nosso querido Carl Sagan, onde ele diz o seguinte:

Alegações extraordinárias, exigem evidências extraordinárias

Contudo, deve-se ter cuidado ao aplicar a Navalha de Occam, pois muitos confundem seu princípio com a ideia de que, sempre que uma coisa for complexa, tem que ser descartada.

Além disso, muitos poderão pedir para que você prove que a H0 (hipótese desnecessária) seja provada, o que caracteriza uma falácia lógica denominada Inversão do ônus da prova (Leia mais sobre falácias lógicas nesse livro ilustrado disponibilizado aqui: Um Livro Ilustrado de Maus Argumentosonde a pessoa que defende tal hipótese tem o ônus da prova, mas usa dessa falácia, para se livrar do ônus de prová-la.Resumindo, O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação.

Então, vamos parar de criar teorias de como os “círculos alienígenas” surgiram no milharal, e vamos aplicar corretamente essa Navalha destruidora de exageros teóricos que Giherme de Ockham, nos deixou.