EVOLUÇÃO E SARS-CoV2 – A RELAÇÃO EVOLUTIVA ENTRE O CORONAVÍRUS HUMANO, PANGOLINS E MORCEGOS.

É possível que pangolins não estejam diretamente envolvidos no salto do SARS-CoV-2 para seres humanos. Pangolins são de crescente importância e …

EVOLUÇÃO E SARS-CoV2 – A RELAÇÃO EVOLUTIVA ENTRE O CORONAVÍRUS HUMANO, PANGOLINS E MORCEGOS.

Pense Cientificamente

Letramento Científico

Darei início aqui, uma série de posts, em que irei abordar, e tentar discutir a importância da educação científica, como ferramenta, não só de produção do conhecimento, mas também, como uma forma lógica e sistemática de pensar, que nos permite enquanto seres humanos ( somos seres humanos, certo?) questionar e avaliar informações que chegam até nós, de uma forma crítica e cética, permitindo assim, não só o pleno exercício da cidadania, mas também da construção da autonomia do nosso próprio processo de concepção pessoal frente a essa sociedade que cada vez mais produz lixo literário, seja ele de noticiários, ou até mesmo de cunho acadêmico, frutos de uma sociedade que não entende de ciência.

Veja também: A navalha de Ockham

Irei abordar aqui, temas como:

  • Método CientíficoMétodo Científico
  • Redação Científica
  • Educação Científica
  • Letramento Científico
  • Transposição Didática
  • Ciência e Tecnologia

Dentre outros…

Veja também: Um dia no laboratório

O Objetivo principal dessa série de posts, é tentar sensibilizar os leitores de que ao desenvolver a capacidade de usar o conhecimento científico, identificar problemas e tirar conclusões com base em evidências, o mesmo poderá tomar decisões mais seguras, não só sobre o mundo natural, mas também, em âmbito sociopolítico e cultural.

Um dia no laboratório

Um belo conto sobre o mecanismo de “auto-correção” da ciência através do método científico. Essa não é a triste história do método científico. É a história do implacavelmente indiferente método científico.

Sociedade Secreta Zvezda

Dexter acordou de bom humor e fio até a cozinha fazer o desjejum quando encontrou uma nota afixada na geladeira de sua mãe.

– Bom dia meu filho. Eu e Didi vamos ao mercado fazer compras. Nós vamos demorar, então faça seu café da manhã. Beijos, mamãe.

– Viva! Eu vou ter a casa toda só para mim! Eu vou poder fazer meus experimentos sem ter que me preocupar com a Didi.

Sem a supervisão de sua mãe, Dexter foi se servindo do que mais gostava, não do que é saudável. Quando acabou, foi em direção ao seu laboratório quando a campainha tocou.

– Ah, não! Será que elas voltaram e esqueceram a chave?

Dexter olhou pelo sistema de segurança e percebeu que era um entregador. Estava com uma caixa grande.

– Oba! Eu espero que sejam os cubos azuis de Madagascar. O Comitê Científico abriu inscrições para cientistas de…

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A navalha de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham

Guilherme de Ockham ou Ockam, Occam, Aquaman Auquam, Hotham (nunca vi uma grafia mais indefinida que o local onde esse cara nasceu) foi um frade franciscano que viveu no séc. XIV e defendia o princípio que agora carrega o seu nome, ligado á metáfora da navalha: a Navalha de Ockham!

Narrada pelo locutor da Seção da Tarde, fica assim:

Esse frade franciscano e sua galerinha do barulho, aprontaram altas confusões e se meteram em uma grande encrenca com o Papa devido as suas ideias da pesada. Agora viverá uma grande aventura tentando driblar a santa excomungação papal”

Resumidamente, o princípio é o seguinte:

as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão.

Também conhecida como Lei da Parcimônia.

A Navalha de Ockham aplicada à ciência.

Na aplicação científica, a Navalha de Ockham indica que, se em tudo mais duas teorias são iguais, a mais simples (a que exige menos hipóteses) deverá ser aceita. A tirinha abaixo explica melhor a situação:

Dilema

Na lógica isso funciona assim:

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade entre duas teorias, indicando que a cada hipótese extra (princípio da parcimônia), logo desnecessária acrescentada a uma teoria a torna menos provável. (vale lembrar que estamos comparando teorias nesse exemplo)

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2…Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione corretamente.

Podemos escrever isso, simplificadamente, da seguinte forma:

 T1= (H1, H2…Hn).

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, que contenha as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. Assim:

T2= (H1, H2.. Hn, D0).

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas, então a teoria T1 deverá nos dar as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas como, por definição, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 poderá dar um resultado falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese desnecessária “D0”.

Provamos assim que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta torne-se falsa. Dessa forma, podemo afirmar que teorias que respeitam a “navalha de Occam” têm maior probabilidade de serem verdadeiras do que aquelas que não satisfazem a navalha.

Esse raciocínio que é muito aplicado no método científico, é expresso de uma forma um pouco reformulada pelo nosso querido Carl Sagan, onde ele diz o seguinte:

Alegações extraordinárias, exigem evidências extraordinárias

Contudo, deve-se ter cuidado ao aplicar a Navalha de Occam, pois muitos confundem seu princípio com a ideia de que, sempre que uma coisa for complexa, tem que ser descartada.

Além disso, muitos poderão pedir para que você prove que a H0 (hipótese desnecessária) seja provada, o que caracteriza uma falácia lógica denominada Inversão do ônus da prova (Leia mais sobre falácias lógicas nesse livro ilustrado disponibilizado aqui: Um Livro Ilustrado de Maus Argumentosonde a pessoa que defende tal hipótese tem o ônus da prova, mas usa dessa falácia, para se livrar do ônus de prová-la.Resumindo, O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação.

Então, vamos parar de criar teorias de como os “círculos alienígenas” surgiram no milharal, e vamos aplicar corretamente essa Navalha destruidora de exageros teóricos que Giherme de Ockham, nos deixou.