Como as diferenças ajudam na cooperação, um estudo de sociofísica

Hoje continuaremos a série explicando em termos leigos alguns dos meus artigos. Já falamos um pouco sobre o assunto na postagem de Cooperação e …

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Kit de ferramentas para pesquisador

Ok, você leu esse post sobre como começar a fazer pesquisa, e depois esse outro sobre os melhores jeitos de começar uma revisão bibliográfica. Você …

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EVOLUÇÃO E SARS-CoV2 – A RELAÇÃO EVOLUTIVA ENTRE O CORONAVÍRUS HUMANO, PANGOLINS E MORCEGOS.

É possível que pangolins não estejam diretamente envolvidos no salto do SARS-CoV-2 para seres humanos. Pangolins são de crescente importância e …

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COMO O ESTRESSE DO CORONAVÍRUS PODE ATRAPALHAR NOSSO CÉREBRO.

Estudos de imagem mostram que devemos nos dar um tempo. Por Laura Sanders. Estou dentro do prazo, mas em vez de me concentrar, minha mente vibra com …

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Cientistas conseguem alterar algas para produzir hidrogênio

Cientistas conseguiram alterar a fotossíntese em algas com objetivo de desviar o fluxo de elétrons da assimilação de CO2 para a redução de prótons. O…

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Usando isótopos de carbono para desmascarar o comércio do falso uísque raro

Imagine uma garrafa de Uísque escocês de 1863. Não é preciso ser um connoisseur para imaginar que se trata de um item raro. Esses uísques são objetos de cobiça de colecionadores que pagam milhares (e ate milhões) de dólares por uma única garrafa.

Entretanto, pesquisadores do Centro de Pesquisa Ambiental das Universidades Escocesas (Scottish Universities Environmental Research Centre – SUERC) utilizaram a marcação por Carbono 14 (14C) para determinar a real idade dos supostamente raros rótulos de uísque. O estudo, que utilizou o decaimento do carbono da cevada de rótulos com idade conhecida (entre 1950 e 2015) para realização de uma curva de calibração, chegou a conclusão de que muitas das supostas garrafas raras de uísque, não eram tão raras assim e que se tratavam de uísques fraudulentos.  Das 221 garrafas analisadas, cerca de 50% eram discrepantes com relação ao ano de destilação descrito no rótulo. Uma delas (Talisker 1863), pode ter sido destilada entre 2007 e 2014. Já o  Laphroaig 1903, pode ter sido destilado após 2011.

Mais uma vez a ciência salvou o dia contra o charlatanismo.

 

Uaite rorse

 

Terapia baseada em realidade virtual tem benefícios reais para alguns tipos de transtornos mentais

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Hardware barato e fácil de usar poderia ajudar a terapia de RV a ser popular

Edwin ajustou o fone de ouvido e segurou o controle do jogo com as duas mãos. Ele engoliu em seco. O cara tinha boas razões para estar nervoso. Ele estava prestes a entrar em um ambiente virtual feito sob medida para fazer seu coração bombar mais do que qualquer videogame cheio de ação: Um café cheio de gente.

Determinado a superar seu medo reincidente de que outras pessoas querem machucá-lo, Edwin havia se inscrito em um estudo de uma nova terapia de realidade virtual. A pesquisa teve como objetivo, ajudar as pessoas com paranóia a se sentirem mais confortáveis em locais públicos. Nesse programa, descrito em março no Lancet Psychiatry, Edwin podia visitar uma loja ou embarcar em um ônibus lotado.

Estranhos virtuais podem ser assustadores, assim como pessoas reais. Edwin, que havia sido diagnosticado com esquizofrenia paranóica, frequentemente achava tarefas simples, como compras de supermercado, esmagadoras e exaustivas.

Mas enfrentar multidões simuladas, veio com regalias. Em um computador próximo, estava sentado o psicólogo clínico Roos Pot-Kolder, da Universidade de Amsterdã. Ela poderia personalizar o número de avatares e definir seus níveis de amizade em cada cena. Dessa forma, Edwin poderia progredir em seu próprio ritmo.

Durante uma sessão, Pot-Kolder treinou Edwin para desafiar suas próprias suposições paranóicas. Se ele visse um avatar irritado, ela perguntou: “Quais poderiam ser outras razões para parecer louco, além de querer machucá-lo?” Edwin ofereceu: A pessoa poderia estar cansada ou com problemas pessoais.

Após três meses de tratamento com RV, os passeios públicos foram mais fáceis, disse Edwin, que pediu que seu sobrenome não fosse usado. “Senti mais liberdade, mais relaxada.” Ele até fez um poema para 500 pessoas em um show de talentos, que ele “não ousaria” antes.

Pesquisadores vêm desenvolvendo sistemas de realidade virtual que ajudam pessoas a superar fobias específicas desde os anos 90. A terapia de RV, desde então, expandiu-se para tratar de transtornos de ansiedade mais complexos, como ansiedade social e estresse pós-traumático, e até mesmo a ansiedade associada à esquizofrenia paranóide para pessoas como Edwin.

“O principal ingrediente para um tratamento eficaz para os transtornos de ansiedade é … você precisa enfrentar seus medos”, diz Stéphane Bouchard, um ciberpsicólogo clínico da Universidade de Quebec, em Outaouais, no Canadá. Ele está se referindo ao que é conhecido como terapia de exposição. Com o apoio emocional de um terapeuta, a terapia de exposição ajuda a dessensibilizar o paciente para qualquer que seja o medo. Os pacientes geralmente enfrentam seus medos na vida real ou, se o medo é uma lembrança traumática, repetidamente revivem o evento em sua imaginação.”

Mas confrontar medos pode ser mais fácil em um ambiente virtual. Um paciente com fobia de voo pode decolar e aterrissar muitas vezes em uma única sessão de RV sem o custo e o incômodo dos vôos reais. Veteranos com estresse pós-traumático que não se lembram de uma lembrança traumática em grande detalhe podem representar uma procuração próxima na RV para uma experiência terapêutica mais potente. O mesmo vale para aqueles que reprimem memórias dolorosas.

Até recentemente, o preço e a complexidade dos equipamentos de RV, que podiam custar dezenas de milhares de dólares, limitaram a terapia de RV a alguns laboratórios de pesquisa e clínicas. Agora, há headsets baseados em computador, como o Oculus Rift, que custam apenas algumas centenas de dólares, além de fones de ouvido como o Samsung Gear VR, que transformam smartphones em telas de realidade virtual por cerca de 100 dólares.

Com sistemas mais baratos e mais fáceis de usar, prontos para tornar a terapia de realidade virtual disponível para muitos mais pacientes, os pesquisadores estão testando os limites dos poderes terapêuticos da RV para tratar uma gama mais ampla de distúrbios ou, em alguns casos, substituir completamente o terapeuta.

Texto traduzido por Mayke Alencar; postado originalmente em Sciencenews

This article appears in the November 10, 2018 issue of Science News with the headline, “Erasing Fear: Virtual reality therapy has real-life benefits for some disorders.”

Carta das Universidades Pela Democracia

Diante dos recentes acontecimentos na atual conjuntura política brasileira, pesquisadores e intelectuais de diversas áreas e de amplo espectro político, assinaram uma carta em defesa dos Direitos Humanos, da liberdade de pensamento e expressão. Sendo esse um blog majoritarimente sobre ciências, dado que o conhecimento científico vem se construindo sobre as bases do livre pensar, venho aqui endossar o apoio ao que foi aí expresso: Segue a carta:

O Brasil atravessa, novamente, um daqueles momentos cruciais em que a consciência democrática da nação precisa levantar-se para afirmar os valores fundamentais da liberdade, da razão e dos direitos humanos. Ameaçada por uma tosca pregação autoritária, que não se peja em enaltecer a ditadura de 1964, a democracia duramente construída no país pode outra vez perecer, como aconteceu no período histórico ora elogiado por um dos candidatos à Presidência da República na eleição decisiva que se aproxima. Por isso, acima e além das divisões ideológicas, partidárias e filosóficas que nos separam, decidimos nos unir em defesa do bem maior que representa podermos resolver as nossas diferenças em paz, dentro do Estado de Direito, e no respeito absoluto pela opinião alheia.

A universidade conhece de sobra o horror das intervenções arbitrárias. Instituição cujos objetivos máximos são o cultivo e a transmissão da Inteligência, ela depende do livre curso das ideias, para realizar a contento a tarefa que lhe cabe. Os ares sombrios da intolerância sufocam a atividade universitária, que desde sempre na história resistiu às pressões do pensamento único.

O processo eleitoral em curso trouxe à tona fantasmas do passado. Palavras simpáticas a torturadores, sugestões de uso da violência contra adversários políticos, cogitações de golpe foram repetidas, para quem quisesse ouvir, pela chapa que terminou o primeiro turno em primeiro lugar. Os candidatos que as proferiram pretendem com elas intimidar os democratas e, quem sabe, preparar o terreno para aventuras de maior alcance contra o regime estabelecido na Constituição Federal aprovada em 1988.

Nós, professores, estudantes e funcionários das universidades brasileiras, desejamos, nesta hora perigosa, ressaltar que a democracia, o livre pensar, a autonomia do ensino, são cláusulas pétreas das quais não abriremos mão em nenhuma hipótese.

 

 

São Paulo, 18 de outubro de 2018.

 

Você pode assinar a carta clicando aqui.

 

Pessoas que já assinaram:

Os historiadores Boris Fausto, Fernando Novais, Laura Mello e Souza e Luiz Felipe de Alencastro, os juristas Conrado Hubner Mendes, Dalmo Dallari, Fábio Comparato, Gilberto Bercovici, José Gregori e Pedro Dallari, os economistas Laura Carvalho, Leda Paulani, Lena Lavinas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Paulo Furquim de Azevedo, Pedro Rossi e Fernando Rugitsky, os filósofos José Arthur Giannotti, Marilena Chauí, Marcos Nobre, Paulo Arantes, Ruy Fausto e Vladimir Safatle, os sociólogos Brasilio Sallum Jr, Gabriel Cohn e Maria Arminda do Nascimento Arruda, o crítico literário Roberto Schwarz, as arquitetas Ana Lanna, Ermínia Maricato e Raquel Rolnik, as antropólogas Alba Zaluar, Lilia Schwarcz e Manuela Carneiro da Cunha, os jornalistas Eugênio Bucci e Carlos Eduardo Lins da Silva, a educadora Lisete Arelaro e os cientistas políticos Cláudio Couto, Elizabeth Balbachevsky, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Maria Victoria Benevides, Paulo Sérgio Pinheiro, Leonardo Avritzer, Luis Felipe Miguel e André Singer.

Como “médicos naturalistas” podem te prejudicar.

Falar de naturopatia não é fácil. Ao contrário das outras terapias alternativas que abordamos no blog, a naturopatia não representa um tratamento ou um método em particular, mas antes uma prática que abrange um sem número de tratamentos pseudocientíficos.

Devido a esta abrangência, podemos considerar os naturopatas como terapeutas super-alternativos, dada a enorme condensação de pseudociência. São também os mais perigosos, dado que se consideram tão bem preparados como os médicos de família para fazer seguimento de doentes. Acham que a sua formação lhes permite ter um conhecimento abrangente da medicina convencional e aliar esse conhecimento à medicina natural, disponibilizando aos doentes o “melhor dos dois mundos”…no entanto, tal não é verdade.

Comecemos pelo contexto histórico

O termo naturopatia é originário de “natura” (raiz latina para nascimento) e “pathos” (a raiz grega para o sofrimento) para sugerir “cura natural”. Ou seja, a utilização de uma série de práticas denominadas “naturais” para tratar os doentes, promovendo os poderes de auto-cura do organismo…no fundo baseadas no conceito do vitalismo, teorizado antes do séc. XX, em que os processos biológicos do organismo supostamente não se regem pelos princípios físicos e químicos universais. Este conceito, que é a base de uma série de práticas alternativas (como toda a Medicina Tradicional Chinesa, incluindo a acupuntura),  foi refutado em 1828 por Friedrich Wöhler. Uma história que fica para outra altura.

Quanto à naturopatia, há quem diga que Hipócrates foi o primeiro naturopata, como o colégio de Naturopatia do Reino Unido:

“Os princípios da naturopatia foram utilizados pela primeira vez pela Escola Hipocrática de Medicina por volta de 400 AC. O filósofo grego Hipócrates acreditava em ver a pessoa como um todo em busca das causas das doenças e usando as leis da natureza para induzir a cura. Foi a partir desta escola de pensamento que surgiram os princípios da naturopatia:

  • O poder de cura da natureza – a natureza tem a capacidade inata de curar;
  • Identificar e tratar a causa – há sempre há uma causa subjacente, seja física ou emocional;
  • Não fazer mal – um naturopata nunca usará tratamentos que possam criar outros problemas aos doentes;
  • Trata a pessoa como um todo – ao preparar um plano de tratamento, todos os aspectos da pessoa são levados em consideração;
  • O naturopata como professor – um naturopata ensina o doente a assumir a responsabilidade pela sua própria saúde ensinando-o a cuidar de si mesmo;
  • A prevenção é melhor do que a cura – o naturopata pode remover substâncias tóxicas e certos estilos de vida para prevenir o aparecimento de novas doenças.”

Tudo isto parece muito bem. Aliás, muitos destes princípios são comuns à medicina. Podemos considerar que a teoria é ótima e na sua globalidade adequada.

Então qual é o problema? O problema é que a filosofia está longe da prática, como iremos perceber.

Na realidade, apesar da visão hipocrática romântica, a doutrina da naturopatia nasceu do movimento de cura natural do século XIX da Europa, mais concretamente na Alemanha. Deixo um excerto do que era a base da naturopatia na época, sendo que a maioria destes pontos prevalecem nos dias de hoje:

Traduzo: “Os fundadores destas sociedades tinham muitos pontos de vista em comum, que podemos sumariar da seguinte forma. Um homem é saudável no seu estado natural; a doença resulta da desobediência às leis da natureza. A desobediência pode envolver comer de forma errada ao selecionar comidas não naturais (refinadas, processadas ou contaminadas com químicos), incluindo carne ou simplesmente por comer demais. A desobediência também envolve ter um estilo de vida errado, como não fazer exercício físico suficiente ou apanhar ar fresco, usar estimulantes ou venenos como o álcool, chá, café e tabaco ou usar fármacos alopáticos, soros ou vacinas. Uma atitude mental correta é igualmente importante, a ideia da obediência à natureza implica uma obrigação moral, senão religiosa de tentar atingir uma saúde perfeita. Esta perfeição implica uma integração completa e a harmonia entre o ser físico, mental e espiritual. A doença não é um entidade exterior que invade o corpo como um inimigo que necessitamos de derrotar ou suprimir. Em vez disso, os sintomas de uma “doença” são as tentativas do corpo de libertar as impurezas e por essa razão devem ser encorajadas. Se os sintomas são suprimidos pelos medicamentos alopáticos, as impurezas procuram outra saída e a doença aguda transforma-se em doença crónica. As impurezas podem advir de comida e bebida não natural ou da falha da normal eliminação por parte da pele, rins e intestinos, ou a geração de impurezas pelo mau funcionamento da fermentação ou obstipação intestinal. Os germes são commumente um resultado e não uma causa da doença, proliferando onde já existem tecidos danificados. A doença apenas pode ser radicalmente curada com remédios “naturais”, que inclui o jejum, dieta, hidropatia e talvez manipulação, seguido por um regresso à vida normal para manutenção da saúde.”

Portanto, analisando este texto existem alguns pontos relevantes e sensatos, sobretudo no que diz respeito aos estilos de vida: comer de forma saudável, fazer exercício, apanhar ar livre, não beber álcool ou fumar, tentar atingir um bem-estar psicológico. Tudo ótimo. E relembro que todos estes pontos são promovidos pela medicina convencional. A tal medicina preventiva que supostamente os médicos não fazem.

O problema é o resto…a completa rejeição da medicação convencional em detrimento de produtos “naturais” – falácia do apelo à natureza; a promoção da quimiofobia; a rejeição da teoria dos germes; a promoção de tratamentos sem eficácia; pior…já na época da criação deste movimento, eram anti-vacinas. E esta temática está bem presente e é promovida por muitos naturopatas nos dias de hoje, incluindo o super-alternativo João Beles. Cito a frase mais relevante de um artigo da Comcept sobre o tema, que conseguiu captar de forma excelente o Sr. João Beles. No fundo, descrevendo um anti-vacinas que ainda não saiu do armário:

“O naturopata convidado, João Beles, optou pela estratégia “eu não sou contra as vacinas mas… [inserir argumento anti-vacinação]”, ou seja, usou os mesmos argumentos falaciosos de qualquer activista anti-vacinação, mas a coberto de uma suposta aura de neutralidade.”

Portanto, só analisando a base desta doutrina, vários alarmes são imediatamente ativados.

Mas voltando à história da naturopatia…o termo “naturopatia” foi cunhado em 1895 por John Scheel e posteriormente comprado por Benedict Lust (um osteopata), sendo considerado pelos naturopatas como o “Pai da Naturopatia dos Estados Unidos”. Lust foi instruído em hidroterapia e outros tratamentos naturais na Alemanha pelo padre Sebastian Kneipp; Kneipp enviou Lust para os Estados Unidos para divulgar os seus métodos sem recurso a medicamentos.

Lust definiu a naturopatia como uma disciplina abrangente e não como um método particular,  incluindo nesta prática coisas como hidroterapia, fitoterapia e homeopatia. Em 1901, Lust fundou a American School of Naturopathy.Posteriormente surgiram outras escolas de naturopatia com o objetivo de divulgação do método. A naturopatia foi adotada por muitos quiropráticos e várias escolas ofereciam o Doutor de Naturopatia (ND) e o Doutor de Quiropraxia (DC).  Pensa-se que durante esse período inicial, existiram cerca de uma a duas dúzias escolas de naturopatia.

Em 1910, a Fundação Carnegie para o Avanço do Ensino publicou o Relatório Flexner, que criticava muitos aspectos da formação em naturopatia, especialmente a qualidade e a falta de rigor científico. O surgimento da penicilina e outras “drogas milagrosas” e a consequente popularidade da medicina moderna também contribuíram para o declínio da naturopatia.

Em 1968, o Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar dos Estados Unidos emitiu um relatório sobre a naturopatia concluindo que esta prática não estava fundamentada na ciência médica e que a educação naturopática era inadequada para preparar os alunos por forma a fazerem um diagnóstico adequado e fornecer tratamento. Em 1977, uma comissão de inquérito australiana chegou a conclusões semelhantes: não recomendou o licenciamento de naturopatas.

Devido a estas ocorrências a naturopatia caiu em declínio. Num mundo perfeito, a história devia ter ficado por aqui…a naturopatia, uma prática sem qualquer evidência científica que a apoiasse resignar-se-ia aos manuais da história da medicina. Mas infelizmente as medicinas alternativas são como zombies…vão ressurgindo da sepultura uma e outra vez. Por mais evidência que exista acerca da sua inutilidade ou perigosidade. E assim, a partir da década de 1970 houve um ressurgimento do interesse nos Estados Unidos e no Canadá, em conjunto com o movimento “saúde holística”, levando a que esta prática ganhasse terreno. Sobretudo pela promoção do modelo médico em que o doente tem um papel mais ativo na sua saúde (e bem).

Mas qual é a evidência sobre naturopatia?

Dado a naturopatia ser extremamente abrangente, tudo depende do que o naturopata promove. Se promover estilos de vida saudável, claro que sim. Quanto ao resto, nem por isso. De uma forma global, existem poucas evidências que a naturopatia tenha qualquer vantagem na melhoria da saúde da população.  Em 2000, a naturopatia continuava sem oferecer provas da sua utilidade terapêutica:

“(…) Nós demos aos naturopatas e às suas associações profissionais ampla oportunidade de refutarem as conclusões de várias comissões de inquérito ao longo dos anos que consideravam que a sua lógica terapêutica não tinha credibilidade científica. Nenhum nos convenceu de que a disciplina havia levado essas críticas de forma séria; na verdade, poucos pareciam reconhecer que este problema persistia. A nossa pesquisa bibliográfica não conseguiu descobrir ensaios clínicos adequadamente controlados que apoiassem as reivindicações da profissão, exceto em algumas áreas limitadas onde o conselho dos naturopatas concorda com o da ciência médica tradicional. Onde naturopatia e a biomedicina estão em desacordo, a evidência é uniforme em favor do último. Concluímos, portanto, que os clientes atraídos para os naturopatas não estão conscientes das deficiências científicas da prática naturopática ou escolhem deliberadamente ignorá-los por motivos ideológicos.”

Kimball C. Atwood IV escreveu um artigo bastante completo sobre naturopatia, da qual destaco a seguinte frase:

“Os médicos naturopatas agora afirmam ser médicos de cuidados primários proficientes tanto na prática da medicação “convencional” e “natural”. No entanto, a sua formação equivale apenas a uma pequena fração da dos médicos que praticam cuidados primários. Além disso, uma análise da sua literatura revela que está repleto de práticas pseudocientíficas, ineficazes, antiéticas e potencialmente perigosas.”

De acordo com Arnold S. Relman,  editor do The New England Journal of Medicine (NEJM) de 1977 até 1991, o livro The Textbook of Natural Medicine, considerada a bíblia dos naturopatas, é inadequado como ferramenta de ensino pois omite vários detalhes de muitas doenças comuns, enfatiza indevidamente os tratamentos “que não são susceptíveis de serem efetivos” em relação aos que provaram ser e promove tratamentos à base de ervas sem evidência científica que os valide em detrimento de produtos farmacêuticos. Conclui que “os riscos para os doentes que procuram cuidados com o naturopata superam em muito os possíveis benefícios“.

Sociedade Médica de Massachusetts afirma:

As práticas naturopáticas mantêm-se inalteradas pela investigação e permanece uma grande variedade de reivindicações erradas e potencialmente perigosas, misturadas com uma polvilhada de conselhos não controversos sobre alimentação e estilos de vida“.

Em 2011 um estudo de revisão dos tratamentos publicitados pelos naturopatas concluiu que as suas práticas não são validadas pela ciência.

Em 2015, o Departamento de Saúde do Governo Australiano publicou os resultados de uma revisão de terapias alternativas que procuraram determinar se alguma era adequado para ser coberto pelo seguro de saúde. A naturopatia foi uma das 17 terapias avaliadas para as quais nenhuma evidência clara de eficácia foi encontrada.

Mas os naturopatas são os mais perigosos porquê?

Primeiro, vou enunciar de forma resumida como hoje em dia os naturopatas encaram o surgimento das doenças (artigo e artigo). Inclui os tóxicos (abrangendo a maioria dos fármacos); as alergias alimentares que atingem praticamente todos os doentes (as famosas intolerâncias ao leite e ao glúten, por exemplo); a deficiência de vitaminas e minerais; candidíase epidémica; doenças inexistentes como doença de Lyme crónica; desalinhamentos vertebrais; alterações da flora intestinal; desiquilíbrio do Qi; etc.

Para diagnosticar estes problemas de saúde os naturopatas usam vários métodos como a iridologia, que já vimos ser inútil; a cinesiologia aplicada, que consegue, por exemplo, detetar a alergia a um alimento colocando-o na mão do doente e ver se surge um “enfraquecimento” do outro membro – deixo à consideração do leitor a plausibilidade de tal técnica; a análise do cabelo para estudo de toxinas e deficiências vitamínicas; eletrodiagnósticos, que supostamente deteta parasitas e outros problemas de saúde medindo a resistência da condução da pele a um pequeno impulso elétrico; “análise de células vivas”; diagnóstico pela língua e pelo pulso (derivações da medicina tradicional chinesa); etc.

Mas é nos tratamentos que os naturopatas realmente se esmeram. É uma verdadeira ode à capacidade inventiva do ser humano. Comecemos pelo princípio, citando Morris Fishbein, que escreveu o livro “Fads and Fallacies in the Name of Science“, foi editor do Journal of the American Medical Association e uma das vozes principais anti-pseudociência durante várias décadas:

“Enquanto a maioria dos cultos adotam uma única concepção quanto à causa e cura da doença, a naturopatia abraça tudo na natureza…

Os verdadeiros naturopatas eram, é claro, curandeiros como o padre Kneipp…e outros que defendiam a vida natural e promoviam a cura pelo uso da luz solar, banhos, ar fresco e água fria…mas há pouco dinheiro a ser feito por esses métodos. Daí o naturopata moderno abranger toda a forma de cura que ofereça oportunidade de exploração [económica].”

Portanto, verificou-se um desvio da doutrina principal em direção a tratamentos comercializáveis. Comecemos por práticas mais antigas, nenhuma sem utilidade reconhecida, algumas das quais já caíram nos esquecimento e outras são usadas de forma residual:

  • Aeropatia: cozer o doente num forno quente;
  • Sistema Alereos: manipulação da coluna vertebral mais calor associada a vibração mecânica;
  • Cura Astral: diagnóstico e conselhos baseados na leitura do horóscopo do doente;
  • Terapia Autohémica: dar ao doente uma solução feita através da modificação e “potencialização” de algumas gotas do próprio sangue;
  • Autoterapia: tratar infecções com “poções” feitas de tecidos infetados ou excreções do doente;
  • Biodinamicocrómica: administrar luzes coloridas enquanto bate no abdómen do doente;
  • Lavagem sanguínea com ervas;
  • Cromoterapia: cura com luzes coloridas;
  • Geoterapia: tratar doenças com pedaços de terra;
  • Patiatria: auto-administração de ajuste espinhal, massagem e tração;
  • Poroterapia: tratamento aplicado através dos poros da pele, supostamente estimulando os nervos que controlam os órgãos internos;
  • Somapatia: ajuste espinhal seguido de aplicações de frio ou calor extremo;
  • Terapia Zodíaca, combinação de astrologia e ervas;
  • Reflexologia: tratamento de problemas de saúde através da aplicação de pressão nos pés ou mãos, que representam o mapa do corpo (sistema homúnculo).

Depois temos os tratamentos mais frequentemente promovidos nos dias de hoje. Irrigação colónicajejum intermitente, várias formas de desintoxicação, homeopatiaacupuntura, quiropraxia, aromaterapia, vitamina C intravenosa, tratamentos com peróxido de hidrogénio e ozonoterapiaauto-hemoterapia, fitoterapia, medicina ortomolecular e outros “remédios naturais”.

Mas como é que isso se traduz na prática?

Deixo algumas recomendações feitas por naturopatas. Obviamente que sem apoio científico ou apoio científico marginal:

  • Evitam tratamentos padrão para a faringite estreptocócica, otite média aguda e outras doenças infeciosas infantis oferecendo em vez disso homeopatia, hidroterapia e “antibióticos naturais” (sobretudo uma série de ervas); mas mais grave, verifica-se que menos de metade dos naturopatas recomendaria levar à urgência um recém-nascido febril com menos de duas semanas.
  • Clara afiliação ao movimento anti-vacinas (falaremos disto em pormenor mais abaixo);
  • Evitam os tratamentos padrão da asma, oferecendo, por exemplo, um banho de peróxido de hidrogénio por forma a “trazer oxigénio extra para toda a superfície da pele, fazendo com que os pulmões tenham um pouco menos de fome de oxigénio” ou “gemas e minerais (…) usados ​​como jóias ou colocados ao redor da casa em lugares especiais“. Esta citação provém de “Artigos escritos por médicos naturopatas para o público em geral “. O autor está listado como “editor sénior do Journal of Naturopathic Medicine, a publicação oficial da Associação Americana de Naturopatas”;
  • O Centro de Pesquisas contra a SIDA da Universidade de Bastyr (uma das universidades mais conceituadas de naturopatia), aconselha para o tratamento dos doentes HIV positivos hipericão e alho, “os quais demonstraram reduzir os níveis sanguíneos de agentes de terapia anti-retroviral altamente ativos“, “programa de desintoxicação com acupuntura auricular“, “hipertermia do corpo inteiro“, homeopatia, estimulação cranioelétrica, enzimas digestivas, prata coloidal e quase cem outros métodos duvidosos. Altas doses de vitamina C também são aconselhadas já que “levaram à inativação de 99% do vírus HIV nas células saturadas com a vitamina C“;
  • Avisos contra tratamentos médicos e cirúrgicos comprovados para a hipertensão, colesterol alto e aterosclerose, recomendado em vez disso tratamentos à base de ervas e quelação com EDTA: “A terapia de quelação com EDTA é uma alternativa à cirurgia de revascularização do miocárdio e angioplastia, o que pode revelar-se mais eficaz e definitivamente mais seguro e menos dispendioso.” A evidência recente do primeiro estudo metodologicamente razoável sobre o tema demonstra a existência de uma “eficácia modesta” na redução de eventos cardiovasculares com a quelação por EDTA, mas apenas em diabéticos. Tal terá que ser confirmado em estudos posteriores;
  • inserção de balões endonasais, que são insuflados dentro da nasofaringe para “libertar as tensões armazenadas no tecido conjuntivo e ajudar o corpo a retornar ao seu formato original“, curando desta forma perturbações de aprendizagem e outros problemas de saúde;
  • Tratamento do doente com acidente vascular cerebral agudo durante pelo menos 20 minutos com uma “compressa gelada (…) sobre as artérias carótidas debaixo do osso do maxilar no pescoço” (que “pode ​​até levar ao término do acidente vascular cerebral“), associado a “medicina energética” subtil;
  • detecção precoce da esclerose múltipla pelo diagnóstico de “pulso” e “língua”, de modo a efetuar uma cura por hidroterapia, homeopatia, acupuntura, dieta e outros métodos; o autor destas afirmações era professor no National College of Naturopathic Medicine.
  • tratamento de cancro da próstata recorrendo a “corrente elétrica na forma de galvanismo positivo, aplicado de forma transretal”. Esta recomendação é dos “Artigos escritos por médicos naturopatas para a população geral“. O autor do artigo era Chefe de Departamento do Southwest College of Naturopathic Medicine.
  • Na bíblia dos Naturopatas – Textbook of Natural Medicine – estão descritas mais de 100 formas de utilização não convencional de vitamina C, sem validação científica.
  • E claro, suplementos dietéticos para praticamente qualquer doença ou aflição.

O mais relevante: são anti-vacinas e afirmam tratar cancro

Estes dois pontos merecem uma consideração especial e serão abordados de forma mais detalhada no futuro. Comecemos pelas vacinas:

Em 2000 foi publicado um artigo onde é referido que apenas 20% dos naturopatas entrevistados aconselham os pais de crianças a vaciná-las. Em 2004 foi realizado outro questionário que chegou a conclusões semelhantes:

Descobrimos que apenas 12,8% (40 de 312) dos entrevistados recomendariam a vacinação completa; no entanto, 74,4% (232 de 312) dos inquiridos recomendariam a vacinação parcial. Mais importante, tanto a vontade de aconselhar a vacinação completa quanto a confiança na saúde pública e na medicina convencional diminuíram nos estudantes nos últimos anos do programa.

Ou seja, ao longo do curso de naturopatia existe uma endoutrinação anti-sistema, levando a que os naturopatas desconfiem e rejeitem a medicina convencional. Aliás, ser seguido por um naturopata está claramente associado a menor taxa de vacinação das crianças. E isto foi observado uma e outra vez.

E se ainda tem dúvidas, deixo-lhe uma citação que resume bem a posição dos naturopatas, do site SemQuímicos:

“Segundo a Naturopatia, doenças infantis (como varicela e sarampo) são importantes, pois fortalecem o sistema imunológico da criança para a fase adulta. Por este motivo, não se indica a vacinação, mas a preparação do indivíduo, por meio de procedimentos naturais, para enfrentar as doenças quando elas aparecerem. O mesmo raciocínio aplica-se a resfriados e gripes. A experiência dos naturopatas aponta que essas batalhas diminuem a incidência de bronquite e doenças degenerativas em fases posteriores da vida.”

Claro que o raciocínio não tem sustentação, sendo baseado na “experiência” dos naturopatas e não em estudos científicos. Mas é o raciocínio transmitido aos pais das crianças que procuram estes terapeutas. Um raciocínio criminoso.

E o que recomendam em vez da vacinação?

No fundo, suplementos para “melhorar o sistema imune” e vacinas homeopáticas. Sim…vacinas que não passam de comprimidos de açúcar. E dado o desconhecimento dos pais, alguns acham que este esquema alternativo é tão eficaz como as vacinas, mas sem efeitos secundários. Obviamente que tais alternativas são ineficazes e comprometem a imunidade de grupo. Portanto, este comportamento destes terapeutas é extremamente perigoso e será uma das principais causas dos surtos de sarampo e tosse convulsa que temos vindo a assistir por esse mundo fora. E a sua legitimação por parte do poder político só veio agravar este problema, já que de forma indireta dá força aos argumentos anti-vacinas dos naturopatas.

E o cancro?

Se a questão das vacinas é de deixar qualquer pessoa de bom senso revoltada, a questão do cancro ainda é mais paradigmática da falta de escrúpulos destes terapeutas. Primeiro, como vimos neste artigo, os naturopatas argumentam que a quimioterapia e radioterapia não funcionam. Independentemente dos milhares de estudos científicos a comprovar exatamente o contrário. Depois de estabelecerem esse ponto, apresentam soluções alternativas. Quais? Tudo o que possa imaginar.

Convém referir que em 2009 foi lançado o American Cancer Society: Complete Guide to Complementary & Alternative Cancer Therapies, sobre terapias complementares para o tratamento do cancro, que refere claramente não existir evidência que “a medicina naturopática possa curar cancro ou qualquer outra doença”. E em 2014 foi publicado uma revisão na Nature Reviews sobre oncologia integrativa (aliar tratamentos convencionais a tratamentos alternativos), em que deixa claro que estes tratamentos não têm grande coisa a acrescentar. 

E que terapias são essas? Desde as terapias alternativas mais básicas, como ervas, suplementos vitamínicos, antioxidanteshomeopatiaacupuntura, quiropraxia, hidroterapia, ozonoterapiaalterações de dieta, até tratamentos surreais como o exemplo que se segue:

Existem alguns estudos sobre este tratamento, mas apenas em ratos, feitos por Russos e publicados em revistas científicas de baixo impacto. Até poderemos dar o benefício da dúvida. Mas nunca aceitar este tipo de publicitação sem forte evidência científica da sua eficácia.

Mas há muito pior. Por exemplo, a teoria criada de que o cancro não é uma doença, mas uma deficiência de vitamina B17 ou amigdalina. E que a suplementação com vitamina B17 cura o cancro. No entanto, não existe qualquer evidência nesse sentido. Pior, a amigdalina é rica em ácido cianídrico, que se transforma em cianeto na corrente sanguínea após ingestão oral. Em concentrações não especificadas (varia de pessoa para pessoa), o cianeto pode levar à morte do doente. Assim, aconselhar as pessoas a consumir amigdalina é simplesmente criminoso.

Para terminar, só para perceberem o marketing agressivo que os naturopatas fazem, existe uma clínica de Naturopatia que afirma “não existir qualquer outra clínica, de qualquer tipo, com taxas de sucesso documentado tão altas“. Fosse eu um doente com cancro, sem conhecimento médico, ao ver este tipo de publicidade certamente que pensaria em experimentar o que esta clínica tem para oferecer. No entanto, se analisarmos a evidência de tais afirmações estas não só deixam muito a desejar, como são simplesmente criminosas.

Concluindo

Este primeiro artigo sobre naturopatia é apenas a ponta do icebergue. O objetivo foi demonstrar que a naturopatia é uma disciplina extremamente ampla, utiliza um sem fim de métodos “naturais” para abordar a saúde e a doença, sem uma base científica adequada. Alguns métodos dependem de “campos de energia vital” imateriais cuja existência não foi comprovada.

Iremos futuramente falar de forma mais aprofundada das diferentes abordagens utilizadas por estes terapeutas alternativos. Aconselho, a quem não quiser esperar, a ler o blog Naturopathic Diaries, de uma ex-naturopata que partilha a sua experiência, tanto na área do ensino da naturopatia, como sobre a prática clínica da mesma. É de leitura obrigatória para perceber que todo o sistema de formação dos naturopatas é um sistema pseudocientífico, que não só ignora a ciência como a combate ferozmente. No fundo, os naturopatas são agentes de desinformação, focos de epidemia ambulantes, criando desconfiança na ciência estabelecida e em coisas tão básicas como as vacinas, antibióticos e tratamentos oncológicos.

Portugal aprovou recentemente legislação que valida estes terapeutas e dando-lhes força na promoção dos seus pontos de vista. No fundo, aprovou a charlatanice no seu estado mais puro…mais “natural”.

 

Publicado origiginalmente em: SciMed

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A Astrobiologia é uma área recente de pesquisa científica, que procura entender o fenômeno da vida em nosso Universo, não se restringindo apenas à vida na Terra, ou mesmo à vida como a conhecemos. Ela aborda algumas das questões mais complexas sobre os sistemas biológicos, como sua origem, evolução, distribuição e futuro, na Terra e, possivelmente, em outros planetas e luas. Por ser multi e interdisciplinar é, acima de tudo, uma ferramenta para facilitar a comunicação e interação entre especialistas de diferentes áreas, e também com a população em geral, já que trata de temas que despertam o interesse geral.

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Pela primeira vez, temos as ferramentas tecnológicas e o rigor científico à disposição para lidar com alguns dos problemas mais complexos e antigos da humanidade: De onde viemos? Para onde vamos? Estamos sozinhos no Universo? A Astrobiologia procura responder essas perguntas baseando-se na história da vida na Terra e suas relações com o planeta, extrapolando esse conhecimento para o desenvolvimento de metodologias para o estudo de outros mundos, seja com robôs, missões tripuladas ou técnicas astronômicas. Os cientistas dessa área estão desbravando novas fronteiras do conhecimento humano, mas esse é apenas o início desse esforço interdisciplinar e internacional, que já está se estabelecendo também no Brasil. (Texto retirado do site: http://www.tikinet.com.br/iag/)

O Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da USP divulgou um e-book gratuito sobre o tema. Além da edição caprichada, o volume foi escrito de olho no público amador e está muito, muito fácil de entender. Vale a pena dar uma olhada.

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