Carta das Universidades Pela Democracia

Diante dos recentes acontecimentos na atual conjuntura política brasileira, pesquisadores e intelectuais de diversas áreas e de amplo espectro político, assinaram uma carta em defesa dos Direitos Humanos, da liberdade de pensamento e expressão. Sendo esse um blog majoritarimente sobre ciências, dado que o conhecimento científico vem se construindo sobre as bases do livre pensar, venho aqui endossar o apoio ao que foi aí expresso: Segue a carta:

O Brasil atravessa, novamente, um daqueles momentos cruciais em que a consciência democrática da nação precisa levantar-se para afirmar os valores fundamentais da liberdade, da razão e dos direitos humanos. Ameaçada por uma tosca pregação autoritária, que não se peja em enaltecer a ditadura de 1964, a democracia duramente construída no país pode outra vez perecer, como aconteceu no período histórico ora elogiado por um dos candidatos à Presidência da República na eleição decisiva que se aproxima. Por isso, acima e além das divisões ideológicas, partidárias e filosóficas que nos separam, decidimos nos unir em defesa do bem maior que representa podermos resolver as nossas diferenças em paz, dentro do Estado de Direito, e no respeito absoluto pela opinião alheia.

A universidade conhece de sobra o horror das intervenções arbitrárias. Instituição cujos objetivos máximos são o cultivo e a transmissão da Inteligência, ela depende do livre curso das ideias, para realizar a contento a tarefa que lhe cabe. Os ares sombrios da intolerância sufocam a atividade universitária, que desde sempre na história resistiu às pressões do pensamento único.

O processo eleitoral em curso trouxe à tona fantasmas do passado. Palavras simpáticas a torturadores, sugestões de uso da violência contra adversários políticos, cogitações de golpe foram repetidas, para quem quisesse ouvir, pela chapa que terminou o primeiro turno em primeiro lugar. Os candidatos que as proferiram pretendem com elas intimidar os democratas e, quem sabe, preparar o terreno para aventuras de maior alcance contra o regime estabelecido na Constituição Federal aprovada em 1988.

Nós, professores, estudantes e funcionários das universidades brasileiras, desejamos, nesta hora perigosa, ressaltar que a democracia, o livre pensar, a autonomia do ensino, são cláusulas pétreas das quais não abriremos mão em nenhuma hipótese.

 

 

São Paulo, 18 de outubro de 2018.

 

Você pode assinar a carta clicando aqui.

 

Pessoas que já assinaram:

Os historiadores Boris Fausto, Fernando Novais, Laura Mello e Souza e Luiz Felipe de Alencastro, os juristas Conrado Hubner Mendes, Dalmo Dallari, Fábio Comparato, Gilberto Bercovici, José Gregori e Pedro Dallari, os economistas Laura Carvalho, Leda Paulani, Lena Lavinas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Paulo Furquim de Azevedo, Pedro Rossi e Fernando Rugitsky, os filósofos José Arthur Giannotti, Marilena Chauí, Marcos Nobre, Paulo Arantes, Ruy Fausto e Vladimir Safatle, os sociólogos Brasilio Sallum Jr, Gabriel Cohn e Maria Arminda do Nascimento Arruda, o crítico literário Roberto Schwarz, as arquitetas Ana Lanna, Ermínia Maricato e Raquel Rolnik, as antropólogas Alba Zaluar, Lilia Schwarcz e Manuela Carneiro da Cunha, os jornalistas Eugênio Bucci e Carlos Eduardo Lins da Silva, a educadora Lisete Arelaro e os cientistas políticos Cláudio Couto, Elizabeth Balbachevsky, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Maria Victoria Benevides, Paulo Sérgio Pinheiro, Leonardo Avritzer, Luis Felipe Miguel e André Singer.

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